Archive for Agosto, 2010

desesperança .

30/08/2010

de tal forma, hoje, não há mais o medo em si, a vida está moldada dentro de uma fobia.

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semanas .

29/08/2010

depois de algum tempo tudo o que nos restou em comum foi essa distância.

ausente .

28/08/2010
as palavras que dissemos um ao outro, as palavras que restaram, como ladrões, todas as vezes que as recordo, levam-me embora algum sentimento.
e de vazio, me completo com a sua ausência.

rachaduras .

25/08/2010

qualquer modo de viver que se baseie somente na razão pura torna-se insustentável.

cortante .

24/08/2010

como a faca, tenho estes dois lados: um cego, o outro, afiado.

o compasso fugaz .

23/08/2010

sob a água da piscina,
os sonhos enferrujados
a felicidade relativa das polaróides,
cada foto de família contém
uma pequena alegria e dor,
uma espécie de padecimento inerte
soçobra o que ficou do que fora.
olhares conhecidos tornaram-se
aos poucos indecifráveis.

o pai que olha o filho que a mãe segura,
no cenário de fundo: avós, tios e primos:
todos amarrados aos balaústres do tempo,
………a âncora por trás do barco.

(mas olhe: as traças comeram a borda deste passado
tão íntimo que, de tudo, se transformou em estranho.)

ocorrência .

21/08/2010

urge o tempo sobre
o tempo.
um eco viajante, das velhas salas da escola,
dos cadernos letivos aos livros amarelados
no calendário de dias escorridos, marcava-se tudo,
feriados, médicos, amigos e aniversários.
uma história sob outra nova história que se vive,
escrita com uma nova ausência:
isto que me tornei.

no quintal, crianças num
jogo de bola

depois de tanto, fiz-me amargo

não lembro da bola nem
do jogo.
recordo apenas as regras.

quieto .

19/08/2010

os silêncios que se acumulam em nós podem tornar-nos mudos de fato.

ser mais .

18/08/2010

é preciso seguir nossos sonhos, ou nossos sonhos seguirão em frente.

polido .

16/08/2010

tentar agradar sendo agradável dificilmente funciona completamente. agrade-se – que os outros procurem suas próprias maneiras.