Archive for Outubro, 2010

parvoíce .

31/10/2010

se os idiotas forem reprimidos, o que será da nossa diversão?

remir .

29/10/2010

existem pensamentos inquietos em minha mente que só o vinho pode tornar a olvidar.

nonsense .

28/10/2010

eles entraram na casa, vinham de todos os lados, carregando o piano de cauda e os quadros dos artistas mortos, sentaram-se à mesa conosco, comeram da comida um pouco fria do tempo que nos tomou o espanto. Com suas bochechas molengas mastigavam os vegetais da sopa, e com tanto incômodo eu tentei varrê-los para fora, mas a vassoura curta não era suficiente. Quando lhe chamei para ajudar com os inoportunos na cozinha, você estava lá com eles sentados no sofá da sala, falavam sobre futebol e loterias, e qual não foi minha surpresa. Você sempre me desagradou com seu jeito meio patife de ser, nunca atentou para os meus pedidos encarecidos cheios de febre quando requisitavam sua presença em meu leito de sono, com o amor preso no armário e os lençóis manchados de vinho, que você achou que era sangue. Sentia duplicado em mim o sentimento de expulsar a todos com um mau humor jurássico, então fui tragado pela sua mão delgada…[acordei].

romante .

27/10/2010

na sua boca minha saudade se perde.

palavra iii

25/10/2010

tão estranha a natureza das palavras que podem ser um abraço, um gracejo, um empurrão ou as balas na cena do crime.

fobia .

23/10/2010

a indústria do medo produziu seus grandes clássicos sob o apelo das multidões cegadas pela ânsia de mais segurança, ao sacrifício de qualquer liberdade. É preciso estar a salvo, sempre e sobretudo – e o mais importante – a qualquer custo.

pessimista .

21/10/2010

nos meus sonhos, tenho pesadelos em que acordo gritando.

rabisco .

21/10/2010

eu já fui esboço, agora sou só rascunho.

esboços .

19/10/2010

as criações parecem ser predestinadas à separação, prontas a serem catalogadas por manuais decrépitos, que o são pelo mero prazer da burocracia, como se cada sentença, em seu mínimo e máximo, pudesse ser sempre dividida em pedaços menores ou costurada em um corpo maior da ciência. O método ceteris paribus cria boas interpretações, mas aplicado à exaustão, como algum axioma,  é imprudente e vil. Não se pode crer que ele é a representação fiel, o desenho sem enganos de nosso mundo, um quadro sem mácula da multilateralidade. Haja que no mundo real, as engrenagens rodam ao mesmo tempo.

subterrâneo .

17/10/2010

sou o rio que corre sob a montanha e expõe-se apenas em determinados trechos, à claridade do céu e aos olhos que buscam cativar; nada o impede em sua correnteza e seus torvelinhos – sou o rio que flui para um abismo.