Archive for Novembro, 2010

pressa .

23/11/2010

as impossibilidades são sempre tão urgentes, geralmente acabam sufocadas pela rispidez do impassível e tão anti-poético “não”.

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direitos .

23/11/2010

há olhos nas paredes, atrás dos quadros e painéis elétricos; nas ruas e calçadas, figuram as cordas e os laços lustrosos prestes a capturar. De esquina em esquina, de movimentos esquivos a passadas largas, nasce a dança do escapismo, entre um gesto que não diz nada e outro que o tenta explicar. Em topos longínquos dos arranha-céus anônimos, abutres escolhem a carne da qual irão alimentar-se, descendo em rasantes sobre vítimas fiéis; como dias no calendário, tudo que se vê é esta gente que não passa de números numa planilha. São pessoas frágeis como as leis feitas para protegê-las.

indagação .

20/11/2010

existe sentido além do prazer e razão além do dinheiro?

só .

20/11/2010

solidão é preencher com vazio os momentos vagos e tediosos.

típico .

19/11/2010

a obviedade de certos estereótipos cria os mais irreverentes clichês, fazendo que sempre se possa saber quando e como o ato e o fato ocorrerão premeditadamente.

preso .

14/11/2010

memória: uma espécie de âncora com vontade própria.

o pouco.

12/11/2010

deveriam existir leis que proibissem certas lembranças de entrar nos sonhos para nos roubar alguns trocados.

retrato .

10/11/2010

a beleza da juventude é o que melhor expõe a efemeridade das coisas nos conformes do tempo, assim como a juventude torna-se senil, a beleza muta-se em ruga.

basculante .

02/11/2010

palavras tão sem sabor dão cobertura ao concreto armado, aos sentimentos arquitetados, com o arame e concertina impedindo a passagem de qualquer gesto afável ou verdadeiro. Por trás, uma pessoa inconsiste, meio mole, meio morna, forja esconderijos para passar a noite, os dias, para passar o tempo, as horas.

dos autos .

02/11/2010

além das histórias oficiais, há sempre muitas outras esquecidas nas entrelinhas das páginas inscritas e das vozes que as contam.