longa jornada dia afora.

17/05/2011
através da neblina noturna, vi os olhos selvagens da cidade, mil luzes.
ali naquele canto da noite, eu me senti cada vez mais inerte, desconectado da solidez inerente ao momento. eu me tornei a chuva caindo, o ar frio cortante, o cheiro dos pneus no asfalto, o vidro estilhaçado no beco raso, o céu cinzento vago e longínquo.
testemunhei minha carne transmutar-se em pedra, cobre e mármore, cantei com as vozes dos transeuntes nas calçadas e vibrei contra o vento antes da lua acenar no céu apagado. era eu esse pedaço vivo de um titã estático, um mundo sob outro mundo, resguardado no seu próprio silêncio aparente, prestes a estourar e emergir à superfície das águas, rasgar o véu e descobrir a peça e os atores no palco desnudo e saber que há muito mais do que apenas outro discurso além da palavra. muda-se o cenário, mas dança-se a mesma música e o roteiro já não é outro senão a repetição dos eventos. roda a roda, não há nada a mais, não há nada novo sob o céu que corteja. 
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