reconstituição.

23/10/2011

foi no cair da noite, ele buscou o whisky, bebeu e chorou. Nem tão no fundo, sabia bem o que aconteceria, os minutos afundavam como pedra no seio da penumbra, a luz da luminária tocava fragilmente os cantos apartados – no chão, papéis, cartas, documentos. As distâncias dos anos maiores que os quilômetros, a distância no coração sempre a maior dentre as outras. Faminto, tentava alimentar-se sobre velhas manias e ideias falsas, comer o papel rasgado com palavras sobrecarregadas de tinta e rancor, nada lhe enchia o desejo nem o ânimo. Já enxergava a morte nos textos escritos, nas bulas, nas propagandas insistentes, na mensagem escorrendo pelas caixas do rádio.

não muito certo das pistas que devia seguir e das que devia queimar, reunia as provas do crime ao seu redor, com a arma fumegante em mãos, pronto para matar, eternamente à espera de liberdade, preso naquele quarto tépido. Criou paradigmas para se encaixar, tão fora do espectro da história, não tinha as medidas das roupas que o vestia. Buscou concretizar em si e ser o bastante, o frágil ser humano que se erguia naquele apartamento amarelado esboçava a figura de um homem – mas os segundos mataram suas melhores horas. Ele temia e sabia o que temia, olhava o relógio, esperava. Viam-no beijando o cadafalso para aceitar seu destino, resignado. Envelhecera.

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