Archive for Novembro, 2011

obtuso.

15/11/2011

a obsessão pelo consumo, a sociedade baseada no consumismo, obscurece a visão que temos da vida, do mundo, dos outros e de nós mesmos.

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carta aberta.

07/11/2011
e por tantas vezes, criei mil ardis para você cair, entrei no seu jogo e tentei me achar, acho que me perdi. Gastei meu tempo puxando o anzol errado e vi você fugindo, pequeno bateau. Ficamos correndo em círculos ao redor das coisas que sabíamos que jamais seriam, mas foi divertido, não foi? Foi tão desgastante que com o tempo nosso cansaço superava nossa vontade de falar, e assim ficávamos em silêncio profundo, você se fingindo de morta, sumindo aos poucos, eu tentando crer na normalidade desta ausência forjada. E nada do que dizíamos era falso, não havia conflitos, estávamos calmos e pacíficos, prontos para o abate. Mas você sempre foi a predadora, no fim, eu era a lebre no buraco mal cavado sem provisões para o inverno – sou tão patético. Quando você acenou com a última palavra, achei graça, tanta falta de amor, falta de brigas, nenhum ciúme, nenhuma palavra atravessada, penso que nos poupamos demais. Agora, o que me vem é só o desejo fálico de uma saudade específica e nominável.
só quero te lembrar: tem algumas coisas minhas com você, quando posso passar por aí?

celebração.

02/11/2011

vamos celebrar e brindar a sua presença esta noite, aos hábitos mais distintos que tornam a loucura singular, uma salva àqueles que buscaram salvação por caminhos tortuosos e se safaram das vinganças mesquinhas. Aqui e hoje, enterraremos os esqueletos no porão e iremos rezar para que o alagamento seja suficiente para todas as memórias, o que sobrevier não poderá perscrutar aquilo que sonha entre as camadas do sono e desilusão.

isto é uma festa ou não é nada. Ou nos divertimos ou estamos morrendo. Estamos sempre um pouco, aos poucos. E mesmo que caminhe nesta linearidade dos ambientes conhecidos, atrás de cada porta em cada andar, há um suspiro dos acontecimentos, esperando, relutantes, pelo dia e pela hora. Pois são nos mínimos momentos que está toda tragicidade da vida, na desconstrução das ninharias que carregamos com zelo mas que fogem para o estado impossível do alcance de nossas mãos. O que não temos e o que não somos, assim perduram os grandes desencontros desta vida, grave e larga, rouca e frágil.