Archive for Junho, 2012

metalinguagem .

21/06/2012
Dias a fio, nada à mente. Como se esperar por um feixe de nova inspiração? É tudo sem alocação, os pensamentos maream indefinidamente, as ideias não crescem longe de qualquer sol. O que tento gritar, apaga a voz rouca, e vejo como tudo está perdido, pelo menos por enquanto. Ao escrever, saem-me os borrões, palavra grotesca, sem afago, sem ódio, é somente banalidade mal escrita. Não é falta do que ter o que dizer, pois isso sei que há muito, vejo que é o não saber como escrever, melhores modos de trazer a língua ao papel, cuspir as linhas em sua ordem correta de forma que soem como a frase soa no crânio – a sentença perfeita, não a disforme que consigo escrever. E quantos não são estes miseráveis que carregam um livro no peito, e que não podem ditá-lo às mãos? Isso é também o que nos faz desfeitos.
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angu .

19/06/2012

tentei ver, vi que não há poeta da cidade grande, coração de lápide, uma mente que só pensa poluição. Saboreei – a comida papel destemperada de carinho. Achei que ouvi – uma sinfonia dos geradores na tarde sem luz no fim da rua. Cheirei o odor – uma angústia dos ralos na calçada. Tateei as paredes, as rotas de fuga obstruídas, barreiras de esquina em esquina. Enfim, quis parar para pensar, parei de pensar.

oito .

10/06/2012

unir num laço o nó do abraço que não se compraz no enlace fugaz – no olhar, tudo se explica, na densidade de um instante enclausurado em palavras que só se entregam a quem o pode entender.

reminiscência .

05/06/2012

quando você parte, é uma morte pequena que se anuncia e deita-se sobre mim, a calmaria da sua ausência impregnada de saudade voa pelas ventanas da janela aberta num afastamento agudo. ante o sono, na lembrança da sua presença, vem um barco pela maré alta me salvar destas águas escuras e me levar de volta em seu estreito abraço à salvação.