Archive for the 'frequencia .' Category

caminhos.

22/02/2017

Olho para os morros no horizonte, penso quanto mais até chegar, quanto mais sob céu, sol e luar, devo caminhar? Até o horizonte desta vida?

platônico .

13/07/2015

Colhe-se bons frutos ao não causar os maus? Ou é justo aquele que ainda causa um mal?
Deve-se lavrar democracia na medida em que se cultiva justiça.

opaco .

13/07/2015

sem causa, o simulacro incorre apenas em efeitos.

corda .

26/04/2013

passo em falso, a cada passo – cadafalso.

quantímetro .

16/10/2012

é grande de lá para cá o tempo que passa e o  futuro que se anuncia. Entre o fogo e o calor, essa distância próxima, mas que nunca cessa. Os versos são escritos e as palavras pronunciadas em cochichos para amigos em qualquer terra, a qualquer instante. Uma balada jaz no livro cerrado nunca cantada, virou história contada. Pouco foi escrito, muito há de ser. Palavra sem recalque que se derrama na brochura escancarada: há de vir. Segredo contado a luz baixa no quarto de verão: há de vir. Declaração deslavada em plena praça num dia útil abarrotado: já está feita. O que é falado, o que é escrito, o que se gesticula e o que se suspira, tome nota.

angu .

19/06/2012

tentei ver, vi que não há poeta da cidade grande, coração de lápide, uma mente que só pensa poluição. Saboreei – a comida papel destemperada de carinho. Achei que ouvi – uma sinfonia dos geradores na tarde sem luz no fim da rua. Cheirei o odor – uma angústia dos ralos na calçada. Tateei as paredes, as rotas de fuga obstruídas, barreiras de esquina em esquina. Enfim, quis parar para pensar, parei de pensar.

oito .

10/06/2012

unir num laço o nó do abraço que não se compraz no enlace fugaz – no olhar, tudo se explica, na densidade de um instante enclausurado em palavras que só se entregam a quem o pode entender.

reminiscência .

05/06/2012

quando você parte, é uma morte pequena que se anuncia e deita-se sobre mim, a calmaria da sua ausência impregnada de saudade voa pelas ventanas da janela aberta num afastamento agudo. ante o sono, na lembrança da sua presença, vem um barco pela maré alta me salvar destas águas escuras e me levar de volta em seu estreito abraço à salvação.

voraz .

29/05/2012

a gente primeiro é pego por essa necessidade primeva que começa pelo estômago e não acaba nos pratos e bolsos vazios, só na boca entupida de comida que o dente mastiga e reitera.

fiel .

28/05/2012

o minuto urge, é preciso ser quente e frio, com pressa e calma ter o amor e o ódio na mesma medida – porém em copos distintos – pois é necessário cessar o rancor e lavrar o afago sem remorso, como há de se praguejar com honestidade e sorrir um riso sincero sem máculas, viver uma alegria sem outra intenção e mostrar um desprezo sem comiseração.